O Silêncio que Ecoa na Praça

A tensão política de Moçambique não é nova. Ela é uma sombra longa e fria que nunca vai embora. Um fardo pesado demais para ser carregado, mas que ninguém sabe como deixar para trás. Ela sufoca tanto quem está nas ruas quanto quem, atrás dos escudos, segura as armas. Moçambique, porém, chorava em silêncio. Chorava por seus mortos, por seus vivos, por suas dores invisíveis. Chorava porque, na terra de ninguém que se tornara a praça, todos perderam algo — a jovem, o velho, o policial. Perderam porque esqueceram que, em algum lugar, são todos feitos do mesmo sangue, da mesma terra. A praça era um espelho rachado de Moçambique. O caos das ruas refletia os cacos de um país que já não sabia como se reerguer. O sol da tarde parecia cruel, lançando sua luz sobre rostos marcados pela luta, pela fome e pelo cansaço de gritar para ouvidos que nunca ouviram. Os cartazes balançavam como bandeiras de um povo à deriva. "Queremos justiça!", dizia um. Mas que justiça caberia ...